"Tendinite" é a palavra que quase toda a gente usa, mas na maioria dos casos não é o termo mais correto: o nome clínico mais adequado é tendinopatia. Neste guia encontra o que é, porque aparece, como se chega ao diagnóstico com a consulta e a ecografia, e o que diz a ciência sobre exercício, laser, tecar, ondas de choque, infiltrações e anti-inflamatórios.
Na linguagem comum fala-se quase sempre de "tendinite", como se a dor no tendão fosse sempre uma inflamação. Quase nunca é assim. O termo clínico correto é tendinopatia: dor persistente e redução da função do tendão, ligadas à carga mecânica2. Um verdadeiro processo inflamatório (tendinite em sentido estrito) é raro na forma crónica por sobrecarga, a mais frequente no desportista; pode ter um papel, limitado, só nas fases iniciais ou no tecido que envolve o tendão (peritendinopatia)1.
Não é só uma questão de palavras: é uma das razões pelas quais o repouso absoluto e os anti-inflamatórios, sozinhos, muitas vezes não resolvem o problema, enquanto o exercício com carga progressiva é o tratamento com maior apoio científico.
Um tendão pode ter alterações evidentes na ecografia sem dar qualquer dor e, ao contrário, uma dor típica pode aparecer com uma ecografia quase normal1. Por isso o diagnóstico de tendinopatia é sobretudo clínico: baseia-se na consulta e na história da dor, com a ecografia usada para confirmar e para excluir outras causas. Como se chega ao diagnóstico →
A causa mais comum é um desequilíbrio entre a carga aplicada ao tendão e a sua capacidade de a tolerar naquele momento, não o movimento em si1. O fator de risco mais forte é já ter tido uma tendinopatia no mesmo local; seguem-se um aumento demasiado rápido da carga de treino (volume, intensidade, mudança de piso ou de calçado, regresso depois de uma paragem), a idade, e défices de força ou de mobilidade nas articulações próximas.
A visão mais recente junta também fatores sistémicos: glicemia elevada, colesterol alto, alterações hormonais e envelhecimento celular podem modificar a qualidade do colagénio e reduzir a tolerância do tendão à carga, independentemente do desporto praticado3. São elementos a considerar sobretudo quando a tendinopatia não responde ao tratamento como esperado.
O sintoma típico da tendinopatia é uma dor bem localizada num ponto preciso do tendão, que aparece ou piora com a carga e melhora com o repouso. Seja qual for o tendão envolvido, o quadro clínico tem algumas características bastante constantes1:
Uma dor que aparece em repouso, à noite, que se irradia ao longo de todo o membro ou que não tem qualquer relação com a carga é menos típica da tendinopatia e merece uma avaliação clínica para excluir outras causas, como um problema articular, nervoso ou inflamatório. Como se chega ao diagnóstico →
Algumas situações não são típicas de uma tendinopatia por sobrecarga e devem ser avaliadas sem esperar:
As tendinopatias mais frequentes envolvem o tendão de Aquiles, o tendão rotuliano, a coifa dos rotadores do ombro, os tendões do cotovelo (epicondilite e epitrocleíte), o tendão proximal dos isquiotibiais, os adutores da virilha e a fáscia plantar. Cada local tem um padrão de dor característico, útil na consulta1.
Frequente em quem corre e em quem pratica desportos com saltos repetidos. É típica uma rigidez dolorosa nos primeiros passos da manhã, que tende a passar em cerca de trinta minutos. Distingue-se uma forma a meio do tendão de uma forma insercional, perto do calcanhar, em que podem estar envolvidos também a bursa retrocalcaneana e — por vezes — o tendão plantar, quando passa muito perto do Aquiles.
Muito comum no voleibol, no basquetebol e no atletismo, desportos com saltos repetidos. A dor é na ponta da rótula, tipicamente com incómodo quando se está muito tempo sentado, por exemplo no carro. Piora na impulsão e na receção dos saltos e na fase de descida do agachamento.
Frequente nos desportos com movimentos repetidos do braço acima da cabeça — voleibol, natação, ténis, andebol — mas também por causas degenerativas ligadas à idade. Chama-se também tendinite do ombro ou do manguito rotador. O sintoma mais característico é a dor noturna, muitas vezes ao ponto de impedir dormir sobre o lado afetado.
A epicondilite ("cotovelo de tenista") envolve o lado de fora do cotovelo e piora ao apertar objetos ou levantar pesos com a palma para baixo; a epitrocleíte ("cotovelo de golfista") envolve o lado de dentro e piora nos movimentos de flexão do punho. Ambas são frequentes também em quem não pratica esses desportos, tipicamente em trabalhos manuais repetitivos ou no uso prolongado do rato do computador.
Atinge muitas vezes velocistas, barreiristas, bailarinos e quem faz sprints repetidos. A dor é profunda, na parte alta e de trás da coxa, perto da nádega, tipicamente com incómodo quando se está sentado numa cadeira dura. É das tendinopatias mais difíceis de tratar, com tempos de recuperação muitas vezes longos, mesmo com um percurso de carga bem conduzido4.
Frequentes no futebol, no hóquei e nos desportos com mudanças de direção e remates repetidos. É típica a dor ao virar-se na cama ou ao entrar e sair do carro. A dor na virilha (muitas vezes chamada pubalgia) tem um diagnóstico diferencial amplo — pode envolver também a parede abdominal, a sínfise púbica ou a anca — e por isso a avaliação clínica e ecográfica é particularmente útil neste local.
A fasciopatia plantar (fasceíte ou fascite plantar) não é um tendão em sentido estrito, mas partilha o mesmo mecanismo de sobrecarga. A dor é debaixo do calcanhar, mais intensa nos primeiros passos da manhã, e alivia ao caminhar para voltar no fim do dia. Frequente em quem corre, está muitas horas de pé ou treina em pisos duros.
O diagnóstico é, antes de mais, clínico: baseia-se na história — onde aparece a dor, quando piora, como se comporta com a carga — e em testes que reproduzem a dor, carregando o tendão cada vez mais durante a consulta. Os exames de imagem nem sempre são necessários para o diagnóstico, mas são úteis para o confirmar, para o diagnóstico diferencial e para guiar eventuais infiltrações1.
A ecografia (ultrassom) é o exame de imagem de primeira escolha: rápida, dinâmica — permite observar o tendão enquanto se mexe — e ideal para comparar o lado com sintomas com o lado são na mesma sessão. Avalia a espessura, a estrutura do colagénio, as calcificações e eventuais bursites associadas. A ressonância magnética continua útil nos casos mais complexos: suspeita de lesão parcial relevante, dor atípica, ou quando a ecografia não esclarece.
Alterações estruturais do tendão veem-se muitas vezes também em pessoas sem qualquer sintoma, e uma dor típica pode aparecer com uma ecografia quase normal1. Um relatório deve por isso ser sempre interpretado em conjunto com o quadro clínico, nunca sozinho.
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De todas as opções disponíveis, o exercício com carga progressiva é o tratamento com maior apoio científico para a tendinopatia1. A ideia de base é simples, ainda que pareça contraditória para quem tem dor: o tendão não se cura a evitar a carga, mas a readaptar-se gradualmente para a voltar a tolerar. Um repouso completo reduz a dor no imediato, mas logo que se retoma a atividade os sintomas tendem a voltar, muitas vezes mais intensos, porque o tendão não foi treinado para gerir aquela carga.
Contrações estáticas, sem movimento da articulação. Úteis sobretudo na fase mais dolorosa: em muitas pessoas dão um alívio da dor que pode durar várias horas, além de manterem parte da força do tendão.
Exercícios com resistência crescente, feitos com movimento lento e controlado. É a fase em que se constrói a verdadeira capacidade de carga do tendão, com uma progressão baseada na tolerância de cada pessoa, não num calendário fixo.
Introduzem-se gradualmente movimentos mais rápidos, que obrigam o tendão a armazenar e devolver energia — pequenos saltos, mudanças de ritmo — só se a fase anterior foi tolerada sem agravamento da dor nas 24 horas seguintes.
Voltam os movimentos típicos do desporto — sprints, saltos, mudanças de direção — com uma carga que aumenta até chegar à exigida pelo treino e pela competição.
A carga certa para cada fase não é um esquema fixo: deve ser definida a partir das condições reais do tendão, avaliadas na consulta e com a ecografia. A gravidade, a irritabilidade dos sintomas e eventuais componentes associadas (bursite, peritendinopatia) determinam o ponto de partida e o ritmo da progressão. É por isso que uma avaliação individual é mais eficaz do que um esquema de exercícios genérico encontrado na internet.
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À volta da tendinopatia existe uma oferta muito ampla de terapias de apoio, e é daí que vêm as perguntas mais frequentes na consulta. A síntese é esta: nenhuma destas terapias substitui o exercício com carga progressiva, que continua a ser o tratamento com maior apoio científico; algumas podem, no entanto, ter um papel complementar no controlo da dor. Terapia a terapia, o que diz a evidência disponível:
Laser, tecarterapia, ultrassons terapêuticos. Estão entre as perguntas mais frequentes na consulta ("o laser ajuda?", "a tecar funciona?"). São muito usadas na prática clínica para controlar a dor, mas a evidência científica de alta qualidade a favor da sua eficácia específica na tendinopatia é fraca ou insuficiente. Podem ter um papel complementar na gestão da dor, em particular na fase aguda, mas não como tratamento isolado e nunca em vez da carga progressiva.
O gelo pode dar um alívio temporário da dor depois de uma carga intensa, mas não modifica a estrutura do tendão nem acelera a cura: deve ser visto como uma ajuda ocasional para os sintomas, não como um tratamento que resolve. O calor não tem um papel específico demonstrado na tendinopatia.
Os estudos disponíveis sobre os anti-inflamatórios não esteroides na tendinopatia crónica dão resultados contraditórios e, no conjunto, não apoiam o seu uso de rotina1. Como o mecanismo principal não é inflamatório, podem reduzir a dor no imediato mas não atuam na causa; alguns dados pré-clínicos indicam ainda que poderiam interferir com a adaptação normal do tendão à carga.
Reduzem a dor a curto prazo, mas os estudos que as comparam com o exercício mostram resultados piores a médio e longo prazo, e as infiltrações repetidas foram associadas a um risco maior de rotura do tendão1. Em geral não são a primeira escolha na tendinopatia crónica por sobrecarga; podem ter um papel em situações clínicas selecionadas, a avaliar caso a caso.
A evidência é moderada a favor na tendinopatia do Aquiles, na proximal dos isquiotibiais e na glútea, enquanto os estudos disponíveis são contra o seu uso na tendinopatia rotuliana1. Devem ser sempre usadas como apoio a um programa de carga, nunca sozinhas; se não houver qualquer benefício depois de 3 a 5 sessões, a indicação é interrompê-las.
As revisões sistemáticas metodologicamente mais sólidas não encontram, por agora, evidência suficiente para recomendar o seu uso de rotina na tendinopatia crónica1: alguns estudos mostram um benefício, outros nenhuma diferença significativa em relação ao placebo. É uma opção a considerar só em casos selecionados, não como primeira linha.
Consiste em introduzir uma agulha fina no tecido do tendão danificado, guiada por ecografia, para aplicar uma pequena corrente elétrica no ponto preciso da alteração. Não é um tratamento de primeira escolha: fica reservada a casos selecionados de tendinopatia que não responderam a um percurso bem conduzido de exercício com carga progressiva associado às terapias de apoio, e deve ser sempre feita por um profissional experiente nesta técnica.
Um erro comum é pensar que o tendão doloroso deve ser "esticado". Na realidade, os alongamentos aumentam a compressão do tendão contra as estruturas próximas, sobretudo perto das inserções no osso, e podem piorar a dor em vez de a reduzir1. É preferível um programa de carga progressiva orientado, e não os alongamentos isolados.
Em síntese: o tratamento com maior apoio científico continua a ser o exercício com carga progressiva, ajustado às condições do tendão. As terapias de apoio podem ajudar a gerir a dor ao longo do percurso, mas nenhuma o substitui.
Na maioria dos casos é possível continuar a treinar e a jogar com uma tendinopatia. A decisão baseia-se na intensidade da dor e no seu efeito no rendimento: uma dor que chega até um nível moderado durante a atividade é em geral aceitável, desde que se mantenha estável ao longo do tempo e não altere o gesto técnico (por exemplo, a coxear). Deve manter-se em paralelo um programa de carga específico para o tendão, adaptando o volume desportivo para não somar cargas excessivas1.
Quando foi necessária uma paragem, o regresso ao desporto segue critérios objetivos — força comparada com o lado são, tolerância a cargas cada vez mais explosivas, estabilidade dos sintomas — mais do que um calendário fixo5. Queimar etapas é uma das causas mais comuns de recaída.
A progressão até ao regresso pode ser acompanhada também à distância, com controlos por videochamada: como funciona a consulta online →
A maioria das tendinopatias resolve-se com um percurso conservador: diagnóstico preciso, carga progressiva e eventuais terapias de apoio. A cirurgia continua a ser uma opção para uma minoria de casos, quando um programa de exercício bem feito e mantido durante alguns meses não traz uma melhoria suficiente1. As técnicas modernas são muitas vezes minimamente invasivas e guiadas por ecografia, com tempos de recuperação mais curtos do que a cirurgia tradicional ao tendão.
Reconhecer a tendinopatia
Na linguagem comum "tendinite" é o termo mais usado, mas do ponto de vista científico quase nunca é preciso: "tendinite" indica uma inflamação, enquanto a dor crónica no tendão por sobrecarga é hoje chamada tendinopatia, o termo clínico que indica dor persistente e redução da função ligadas à carga mecânica. Não é só uma questão de nome: o mecanismo principal numa tendinopatia crónica não é inflamatório, e isso influencia as escolhas de tratamento. Saber mais →
Tendinopatia é o termo clínico geral, usado para o quadro de dor e perda de função do tendão. Tendinose é um termo mais técnico, que se refere às alterações estruturais do tecido visíveis nos exames de imagem (desorganização do colagénio, aumento da vascularização). Tendinite, em sentido estrito, indica um processo inflamatório: é um mecanismo raro na tendinopatia crónica por sobrecarga, embora possa ter um papel na fase mais inicial ou na componente à volta do tendão.
O sinal mais característico é uma dor localizada com precisão num ponto do tendão, que aparece ou piora com a carga — corrida, saltos, levantar pesos, conforme o tendão envolvido — e que muitas vezes melhora durante o aquecimento para voltar, igual ou pior, no dia seguinte ou no fim da atividade. É frequente também uma rigidez dolorosa de manhã ou depois de estar muito tempo parado. O diagnóstico definitivo exige uma avaliação clínica, eventualmente com ecografia. Saber mais →
Não, quase nunca, pelo menos na forma crónica. O modelo mais aceite descreve a tendinopatia como um problema de adaptação do tecido a uma carga que ultrapassa a sua capacidade naquele momento, com alterações da estrutura do colagénio mais do que uma verdadeira inflamação. Alguma ativação de sinais semelhantes aos inflamatórios pode aparecer nas fases mais precoces ou reativas, mas é diferente de uma inflamação clássica, e é uma das razões pelas quais os anti-inflamatórios, sozinhos, dão resultados limitados.
São dois problemas diferentes. A tendinopatia diz respeito ao tendão, começa em geral de forma gradual e dá uma dor bem localizada que aparece com a carga e melhora com o repouso. Uma lesão muscular (a "rotura de fibras") diz respeito ao ventre do músculo, começa de repente durante um esforço — tipicamente um sprint ou uma mudança de direção — muitas vezes com uma sensação de estalo e a impossibilidade imediata de continuar. Também o tratamento é diferente. O guia das lesões musculares →
Causas e fatores de risco
A causa principal é um desequilíbrio entre a carga aplicada ao tendão e a sua capacidade de a aguentar naquele momento: um aumento demasiado rápido do volume ou da intensidade do treino, uma mudança de piso ou de gesto técnico, ou o regresso depois de um período de inatividade são as situações mais típicas. Contam também fatores individuais como a idade, uma tendinopatia anterior no mesmo local e, segundo evidência mais recente, doenças metabólicas como a diabetes, o colesterol alto e as alterações hormonais, que podem tornar o tendão menos tolerante à carga. Saber mais →
Os mais fortes são uma tendinopatia anterior no mesmo local e um aumento demasiado rápido da carga de treino. Contribuem também a idade, o sexo, alguns fatores biomecânicos locais e — segundo a literatura mais recente — fatores sistémicos como a diabetes, o colesterol alto, as alterações hormonais e o envelhecimento celular, que modificam a qualidade do colagénio e a tolerância do tendão à carga.
Podem contribuir, sim. Estudos recentes mostram que a glicemia elevada, o colesterol alto e as alterações hormonais ligadas à idade modificam a estrutura do colagénio e a resposta do tendão à carga, aumentando o risco de tendinopatia e tornando-a por vezes mais resistente ao tratamento. Não são a causa isolada na maioria dos casos desportivos, mas devem ser considerados sobretudo nas formas que não respondem ao tratamento como esperado.
Alguns sim. Os antibióticos da classe das fluoroquinolonas estão associados a um aumento do risco de tendinopatia e de rotura do tendão, em particular do tendão de Aquiles, e o risco aumenta ainda mais se forem tomados juntamente com corticoides. Se aparecer uma dor no tendão durante ou logo depois de um tratamento com estes medicamentos, convém avisar o médico que os receitou e não forçar a carga.
Diagnóstico e exames
O diagnóstico é sobretudo clínico: baseia-se na história da dor — onde aparece, quando piora, como se comporta com a carga — e em testes específicos que provocam a dor durante a consulta. A ecografia nem sempre é indispensável para fazer o diagnóstico, mas é útil para confirmar o quadro, avaliar o estado do tendão e excluir outras causas de dor na mesma zona. Saber mais →
É muito útil, mas nem sempre indispensável para o diagnóstico, que continua a ser clínico. A ecografia ajuda a confirmar o envolvimento do tendão, a avaliar a sua espessura e estrutura, a identificar uma eventual bursite ou inflamação à volta do tendão associada, e a excluir outras causas de dor na mesma zona. É também o exame de referência para guiar com precisão eventuais infiltrações.
Não. Alterações estruturais do tendão encontram-se muitas vezes também em pessoas sem qualquer sintoma e, ao contrário, um tendão com uma dor clinicamente típica pode parecer quase normal nos exames. Por isso a ecografia deve ser sempre interpretada em conjunto com o quadro clínico, nunca sozinha: uma imagem "limpa" não basta para excluir uma tendinopatia se a história e o exame físico são típicos.
Para a maioria das tendinopatias a ecografia é o exame de primeira escolha: é rápida, dinâmica — permite avaliar o tendão enquanto se mexe — e ideal para comparar com o lado são. A ressonância magnética fica reservada para os casos mais complexos, para a suspeita de lesão parcial relevante ou quando a ecografia não esclarece.
Prognóstico
Não há um tempo fixo: depende do tendão envolvido, de há quanto tempo duram os sintomas antes do diagnóstico e da adesão ao percurso de carga progressiva. As revisões mais recentes da literatura indicam que, sem um tratamento ativo, os sintomas tendem a persistir durante meses em muitas tendinopatias, como a do Aquiles, a rotuliana ou a do cotovelo: é uma das razões pelas quais um percurso de carga estruturado, começado cedo, é preferível a uma espera passiva.
Pode melhorar em parte, mas a evidência disponível indica que raramente se resolve por completo em poucas semanas se for deixada a si mesma: várias tendinopatias, como a do cotovelo, a rotuliana e a do Aquiles, tendem a não se resolver completamente em 12 a 16 semanas sem uma intervenção ativa. Um percurso de exercício estruturado acelera e melhora a recuperação em relação à simples espera.
Tratamento e exercício
O tratamento base, com maior apoio científico, é o exercício com carga progressiva: começa-se com exercícios isométricos ou com cargas lentas e pesadas, para depois introduzir gradualmente movimentos mais explosivos e, por fim, gestos específicos do desporto, ajustando a intensidade à resposta do tendão nas 24 horas seguintes. As outras terapias — medicamentos, infiltrações, ondas de choque, terapias físicas — têm um papel de apoio e não substituem o exercício. Saber mais →
Não. O repouso completo reduz a dor no imediato, mas não treina o tendão para voltar a tolerar a carga: logo que se retoma a atividade, os sintomas tendem a voltar, muitas vezes mais intensos do que antes. A abordagem com mais evidência prevê, pelo contrário, uma redução dirigida e temporária da carga mais provocadora, não a inatividade total, juntamente com um programa de exercício progressivo.
Em muitos casos sim, com uma dor que na prática clínica se considera aceitável até um nível moderado durante a atividade, desde que a dor na manhã seguinte não piore em relação ao dia anterior e que os sintomas se mantenham estáveis ao longo do tempo. A decisão de continuar, modificar ou suspender temporariamente o desporto deve, no entanto, ser tomada depois de uma avaliação do local, da gravidade e da exigência do desporto praticado. Saber mais →
Em geral não, sobretudo na fase dolorosa: o alongamento pode aumentar a compressão do tendão contra as estruturas próximas, em particular perto das inserções no osso, e piorar a dor em vez de a reduzir. É preferível um programa de carga progressiva orientado por um profissional, em vez de alongamentos isolados.
Os erros mais comuns são cinco: o repouso absoluto prolongado, que reduz a dor mas deixa o tendão mal preparado para o regresso à atividade; os alongamentos insistentes na fase dolorosa, que aumentam a compressão do tendão; confiar só nas terapias passivas, sem um programa de carga; aumentar bruscamente a carga logo que a dor alivia, causa frequente de recaída; e recorrer a infiltrações repetidas de cortisona no tendão, associadas a resultados piores a longo prazo.
É uma preocupação comum, mas pouco frequente na prática. As roturas acontecem geralmente em tendões com alterações degenerativas acumuladas ao longo do tempo, muitas vezes em pessoas que não tinham tido sintomas antes, mais do que como evolução direta de uma tendinopatia dolorosa bem gerida. Aumentam o risco as infiltrações repetidas de corticoides no tendão e a toma de antibióticos do grupo das fluoroquinolonas. Uma dor no tendão tratada com uma carga progressiva adequada não equivale a um tendão "prestes a romper".
Na maioria dos casos, sim. O tratamento assenta no exercício com carga progressiva, que pode ser definido e acompanhado por videochamada, em português, com um fisioterapeuta perto de casa ou em telerreabilitação. Se a dor não for clara ou não melhorar, é precisa uma consulta com ecografia, que pode ser feita numa clínica perto de casa. Consulta online →
Terapias de apoio
O laser e as outras terapias físicas com aparelhos (tecarterapia, ultrassons terapêuticos) são muito usados na prática clínica para controlar a dor, mas a evidência científica a favor da sua eficácia específica na tendinopatia é fraca ou insuficiente, e não podem substituir um programa de carga progressiva. Podem ter um papel complementar na gestão da dor na fase aguda, nunca como tratamento isolado. Saber mais →
Como para outras terapias físicas com aparelhos, a evidência científica de alta qualidade a favor da tecarterapia na tendinopatia é limitada. Pode ser usada como apoio na gestão da dor, mas o tratamento com maior apoio científico continua a ser o exercício com carga progressiva, que a tecarterapia não pode substituir.
O gelo pode dar um alívio temporário da dor, sobretudo depois de uma carga intensa, mas não modifica a estrutura do tendão nem acelera a cura: deve ser visto como uma ajuda ocasional para os sintomas, não como um tratamento que resolve. O calor não tem um papel específico demonstrado na tendinopatia.
A evidência sobre o seu uso na tendinopatia crónica é contraditória e, no conjunto, não apoia o seu uso de rotina: como o mecanismo principal não é inflamatório, podem reduzir a dor temporariamente mas não atuam na causa, e alguns estudos pré-clínicos sugerem que poderiam interferir com os processos normais de adaptação do tendão à carga.
As infiltrações de corticoides no tendão podem reduzir a dor a curto prazo, mas os estudos mostram resultados piores a médio e longo prazo em comparação com o exercício, e foram associadas a um risco maior de rotura do tendão quando repetidas. Por isso, em geral, não são a primeira escolha na tendinopatia crónica, e ficam reservadas a situações específicas avaliadas caso a caso.
Depende do local: a evidência é moderada a favor das ondas de choque na tendinopatia do Aquiles, na proximal dos isquiotibiais e na glútea, enquanto os estudos disponíveis são contra o seu uso na tendinopatia rotuliana. Devem ser usadas como terapia de apoio a um programa de carga, nunca sozinhas, e se não derem benefício depois de 3 a 5 sessões deve-se interrompê-las.
As revisões sistemáticas mais sólidas não encontram, por agora, evidência suficiente para recomendar o seu uso de rotina na tendinopatia crónica: alguns estudos mostram benefícios, outros nenhuma diferença em relação ao placebo. É uma terapia a considerar só em casos selecionados, não como primeira escolha.
É uma técnica que consiste em introduzir uma agulha fina no tecido do tendão danificado, guiada por ecografia, para aplicar uma pequena corrente elétrica no ponto preciso da alteração. Não é um tratamento de primeira escolha: fica reservada a casos selecionados de tendinopatia que não responderam a um percurso bem conduzido de exercício com carga progressiva associado às terapias de apoio, e deve ser feita por um profissional experiente nesta técnica.
A massagem pode dar um alívio temporário, sobretudo nos músculos contraídos à volta da zona dolorosa, mas não modifica a estrutura do tendão nem aumenta a sua capacidade de carga. É por isso uma terapia de apoio, útil para o conforto em algumas fases, que não substitui o programa de exercício progressivo.
Depende do local. Na tendinopatia insercional do Aquiles, um elevador de calcanhar pode reduzir a compressão do tendão sobre o calcâneo e aliviar os sintomas, sendo útil na fase inicial. No tendão rotuliano, pelo contrário, as fitas e as ligaduras reduzem a dor a curto prazo, mas nos estudos não se mostraram mais eficazes do que um placebo. Em geral são ajudas temporárias para gerir os sintomas, não uma cura.
A evidência a favor de suplementos de colagénio ou semelhantes na tendinopatia é ainda preliminar e não permite recomendar o seu uso como tratamento. Faz sentido, pelo contrário, corrigir, quando existem, os fatores metabólicos que podem reduzir a tolerância do tendão à carga — glicemia elevada, alterações do perfil lipídico, carências nutricionais — no âmbito de uma avaliação médica global. Nenhum suplemento substitui o exercício com carga progressiva.
Cirurgia e regresso ao desporto
Só numa minoria de casos, quando um programa de carga progressiva bem conduzido, mantido durante alguns meses, não trouxe uma melhoria suficiente. As técnicas modernas são muitas vezes minimamente invasivas e guiadas por ecografia, com tempos de recuperação mais curtos do que a cirurgia tradicional ao tendão. Saber mais →
Não há um tempo padrão: o regresso ao desporto baseia-se numa progressão de carga por etapas, do fortalecimento isolado do tendão até aos gestos específicos do desporto, com critérios objetivos de força, tolerância à carga e estabilidade dos sintomas, verificados em cada passagem — não só na ausência de dor sentida ou no tempo que passou.
Onde fazer a consulta
A tendinopatia é acompanhada por especialistas do aparelho musculoesquelético: o médico de medicina desportiva, o ortopedista e o fisiatra. O que conta, mais do que a especialidade em si, é que a avaliação junte o exame clínico e a ecografia, para estabelecer que estrutura está realmente envolvida e em que bases definir a carga progressiva, em conjunto com o fisioterapeuta que acompanha o programa de exercício.
Presencialmente, em Itália (Modena, Maranello, Casalecchio di Reno e Carpi) e em Lisboa. Se vive longe, pode fazer uma consulta online por videochamada, em português, e receber um programa de carga à medida. Consulta online →
Os conteúdos desta página baseiam-se na literatura científica citada a seguir. Para o enquadramento clínico e a definição do percurso de tratamento foi usado como referência principal o guia sobre tendinopatias publicado pelo Barça Innovation Hub, um dos documentos de consenso mais completos disponíveis sobre a gestão das tendinopatias no desportista.
Consulta por videochamada, em português, com um programa de exercício construído sobre o seu tendão, para seguir com um fisioterapeuta perto de casa ou em telerreabilitação. Perto de Modena ou de Lisboa, também presencialmente, com consulta e ecografia na mesma sessão.
Pedir a consulta online Clínicas em Itália (página em italiano) →